terça-feira, 6 de julho de 2010

Ódio e amor


Por amor que sinto ódio,
ódio a mim, ódio por odiar.
É amor que ponho nos olhos
e ódio que vejo no mundo.
Corpo fora do meu corpo
Alma dentro da minha alma
O cabível no não cabível
Ódio e amor, um só.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

















"Emprestei o meu eu-lírico
à alguém de que gosto muito...
ou melhor emprestei desse alguém
a experiência de vida para escrever..."


Esses pensamentos femininos,
rodeiam, perseguem, dão nó.
É a falta na busca de preencher,
de ser completo, ser inteiro.
Disponibilidade falsa, disposta,
difusa, confusa e vulcânica.
Aquela que ama se cega
em prol de felicidade.
Aquela que sente se trái
nos seus sentidos incertos.
Dilema de a vida no somar:
a fórmula deve ser exata,
a escolha altera, sim,
os resultados, atenção,
ou você erra, ou acerta,
não há meio termos...
não há correções a fazer
Sem subjetividades ao
objetivizar, é mirar...e
ter medo do que encontrará.

Coração só tem boca pra falar o que sente
Coração tem sua própria oração e forma de rezar
Coração somente acredita no que quer crer...
Coração só sabe clamar amores...
Coração só sabe pulsar em forma líquida
Coração só sabe trabalhar e trabalhar

A cabeça manda ordens
A cabeça comanda...
A cabeça pensa e pensa muito
A cabeça sabe como dizer não
A cabeça sente coisas ruins
A cabeça descansa no sono
A cabeça sabe mentir

Coração e cabeça num só corpo...

No fim quem ganha? Quem prevalece?

domingo, 4 de julho de 2010

Boneca de porcelana


Uma menina, apenas uma menininha repleta de sonhos e de imaginações, a qual pinta um mundo todo colorido, cheio de coisas e feliz. Quando se é pequena o futuro é todo muito do bonito, muito cheio e muito perfeito, quase não se tem problemas – a ótica infantil não é madura para ver tantas imperfeições.
Todas as mulheres já foram como uma boneca de porcelana: com uma pele sedosa, bochechas rosadas, sorriso no rosto, olhos brilhantes e bem abertos de curiosidade, com um cabelo sempre bonito mesmo que bagunçado, com um belo vestido florido mesmo que sujo e amarrotado.
Todas nós perdemos a sedosidade, a cor, o brilho, a curiosidade, frescor, inocência primaveril e ganhamos preocupações com o nosso físico...o cabelo nunca está bom e o vestido nunca de acordo com o que sonhamos lá nos primeiros anos da vida.
Um dia aquela porcelana quebra, pois a mulher não cabe mais naquele corpo onde morava confortavelmente a menina. É tão difícil viver num mundo sem casca, sem cápsula de proteção. Como é triste guardar a boneca de porcelana, a qual fui, no baú do passado!

sábado, 3 de julho de 2010


"Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade"

Florbela Espanca










Entre o breu e a luz da noite
Duas peles tentando tecer uma só,
um só amor, um só corpo, um só pessoa
Sussurros e apelos por palavras
Gestos intensos, dissimulados
Uma busca de intenções diversas
O corpo falando pelo coração
O corpo movido pela razão
A incerteza nos leva a crer
no que queremos acreditar
Mesmo que fale pela boca,
que fale pelo corpo...
que fale pelo meio que quiser

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Beira da saia


Olhe pra beira da saia
Quanto enfeite há
Embrulha segredos
Revela pernas
Que movem
Que giram
Que cruzam
Que sofrem
Que parem
Que abraçam
Que afagam
Que sustentam
A honra de ser mulher
Com bordados e rendas
Faz o olhar rodar e rodar.



Me descobri mulher...não que eu não fosse

não que eu não soubesse...mas me descobri
...as vezes o rodar não faz sentido...

e a beirada da saia não é rendada...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Saudade


Nossaaaaa senhor protege...quanto tempo sem postar...quanto esquecimento...

Quanto tempo sem escrever...minhas madrugadas não são as mesmas...ser gente grande não é fácil mesmo...

...responsabilidades demasiadas...minha gostosa brincadeira de juntar letrinhas...me deixou saudades...

...e resolvi voltar...e ao revirar minha pasta no pc, eu encontrei um escrito antigo e empoeirado...poxa como foi gostoso de reler...e acho me encaixo bem nessa perspectiva...


"Geralmente quando nos falta algo no presente recorremos à evasão no plano do futuro de forma abstrata e imaginária ou buscamos recordar o passado. Meu passado gritou e eu resolvi me voltar a ele!
Tive a positiva e negativa conclusão de que eu fui muito feliz. O positivo é que de fato fui feliz e minhas recordações são doces e saudosas; o lado negativo é que nós só nos damos conta disso tardiamente!
É tardio, mas a felicidade não pode ser tardia se ela é momentânea...ocorre no presente!? Esse sentimento é como um tratamento a base de comprimidos... demoram a fazer efeito!
Queria mesmo que ele fosse injetado diretamente na veia, efeito rápido e conclusão com essa mesma adjetivação. Se hoje, agora, nesse segundo a felicidade está me dando suas mãos e me abraçando...gostaria de retribuir esses gestos e desmanchar em meu rosto um sorriso de gratidão...!

Sinceramente não quero uma felicidade tardia e nem quero a ver ao lado da saudade...felicidade não devia doer!"


Saudade das minhas bobagens de adolescente, da minha época de Pujol, dos meus 18 anos!