
Por amor que sinto ódio,
ódio a mim, ódio por odiar.
É amor que ponho nos olhos
e ódio que vejo no mundo.
Corpo fora do meu corpo
Alma dentro da minha alma
O cabível no não cabível
Ódio e amor, um só.

"Emprestei o meu eu-lírico
à alguém de que gosto muito...
ou melhor emprestei desse alguém
a experiência de vida para escrever..."

Uma menina, apenas uma menininha repleta de sonhos e de imaginações, a qual pinta um mundo todo colorido, cheio de coisas e feliz. Quando se é pequena o futuro é todo muito do bonito, muito cheio e muito perfeito, quase não se tem problemas – a ótica infantil não é madura para ver tantas imperfeições.
Todas as mulheres já foram como uma boneca de porcelana: com uma pele sedosa, bochechas rosadas, sorriso no rosto, olhos brilhantes e bem abertos de curiosidade, com um cabelo sempre bonito mesmo que bagunçado, com um belo vestido florido mesmo que sujo e amarrotado.
Todas nós perdemos a sedosidade, a cor, o brilho, a curiosidade, frescor, inocência primaveril e ganhamos preocupações com o nosso físico...o cabelo nunca está bom e o vestido nunca de acordo com o que sonhamos lá nos primeiros anos da vida.
Um dia aquela porcelana quebra, pois a mulher não cabe mais naquele corpo onde morava confortavelmente a menina. É tão difícil viver num mundo sem casca, sem cápsula de proteção. Como é triste guardar a boneca de porcelana, a qual fui, no baú do passado!

"Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade"
Florbela Espanca

Me descobri mulher...não que eu não fossenão que eu não soubesse...mas me descobri...as vezes o rodar não faz sentido...e a beirada da saia não é rendada...

Cecília Meireles
Florbela Espanca
Clarice Lispector
(Monteiro Lobato, 1928.)